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Notícias
Preço do estacionamento tem alta de
79% em 5 anos
Inflação na
capital, medida pelo Dieese, foi de
24% no mesmo período. Expansão
imobiliária, menor oferta de vagas
nas ruas, aumento da procura e valor
do seguro pressionam os custos, que
são repassados pelos
estabelecimentos
CAROLINA
DALL'OLIO e LUCIELE VELLUTO
O preço dos
estacionamentos está cada vez mais
alto em São Paulo. Nos últimos cinco
anos, o valor médio da hora cobrado
nestes estabelecimentos aumentou
79,31%, enquanto a inflação no mesmo
período subiu 24,06%, de acordo com
o Índice de Custo de Vida (ICV), do
Departamento Intersindical de
Estatísticas e Estudos
Socioeconômicos (Dieese).
Só no ano passado, a alta foi de 14%
ante inflação de 4,05%. Os preços
dispararam no último bimestre: em
novembro, subiram 4,06% e em
dezembro, 9,35%. Quem tinha optado
por deixar o carro na rua também se
deparou com custos mais elevados,
pois em outubro a Prefeitura de São
Paulo já havia reajustado a tarifa
da Zona Azul de R$ 1,80 para R$ 3 a
hora.
Para o educador financeiro Reinaldo
Domingos, o reajuste tem algumas
explicações. Ele acredita que a
diminuição dos espaços para
estacionamento na cidade - seja na
rua, com menos vagas para
estacionar, ou em locais
particulares por causa da mudança
dos espaços vazios para
empreendimentos imobiliários -
somado ao crescimento do número de
carros circulando na capital e ainda
a falta de segurança para deixar o
veículo na via pública contribuem
para o aumento do preço da hora de
estacionamento.
"Há queda de concorrência com menos
estacionamentos na cidade, ao mesmo
tempo que a aumenta a demanda com
mais carro na rua nos últimos anos.
O resultado é aumento de preço",
comenta o educador.
Nessas situações, dependendo do
deslocamento do morador na cidade, o
transporte público e o táxi acabam
se transformando em boas opções.
"Algumas vezes, o que se paga de
estacionamento é o que se gastaria
com o transporte público, sem contar
o combustível", afirma o professor
de Economia da Trevisan Escola de
Negócios, Alcides Leite.
O motorista Eduardo Giometti, de 63
anos, sentiu a diferença de preço
nos últimos anos. Da verba de R$ 300
que a empresa lhe dá para as
despesas gerais do carro, pelo menos
R$ 100 são gastos com
estacionamentos. "Já gastei bem
menos que isso, mas agora o preço
não para de aumentar e a minha verba
rende cada vez menos." Quando foge
dos estacionamentos, vira refém da
Zona Azul. "E quero ver você achar
vaga para parar o carro nas ruas do
centro. Não encontra de jeito
nenhum."
O cargo de gerente de vendas obriga
o gaúcho Rafael Silvério, de 35
anos, a visitar vários centros
empresariais do País. Com
conhecimento de causa, portanto, ele
afirma: os preços cobrados pelos
estacionamentos dos principais
bairros paulistanos são os mais
altos do Brasil. "Se pago R$ 10 para
estacionar em um bairro chique de
Porto Alegre, por exemplo, aqui pago
R$ 15 pela hora. E o pior é que cada
vez que venho para cá, o preço está
mais alto."
A promotora de eventos Talita
Pereira, de 24 anos, disputa uma
vaga para trabalhar em uma empresa
sediada na região da Avenida
Paulista. A contratação, se vier,
vai lhe trazer uma alegria e também
um problema: o valor do
estacionamento. Obrigada a trabalhar
de carro e sem encontrar vagas na
rua, ela já espera que parte do
salário tenha de ser destinada a
essa despesa. "No meu antigo
emprego, na zona norte, eu pagava
metade do preço que terei que pagar
se vier trabalhar aqui. E o moço do
estacionamento já avisou que o valor
sobe no mês que vem." Uma vaga de
mensalista na região da avenida
Paulista pode chegar a custar mais
de R$ 300.
PARA CIMA
14
POR CENTO
Foi a alta no preço do
estacionamento na cidade de São
Paulo no ano passado, ante a
inflação de 4,5%
medida pelo Dieese |